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Publicada em 22/01/2012 às 04:00 | Atualizada em 08/05/2015 às 06:24

Alcatraz empolga fãs do gênero fantasioso, apesar de pecar no elenco

Vana Medeiros

Alcatraz é J.J. Abrams em sua essência, para o bem e para o mal. A nova série do criador de Lost - e Alias e Fringe e, quem diria, Felicity - segue o mesmo esquema de tramas como a da ilha. Mistura elementos de ficção científica e fantasia com as perguntas que mantêm o enredo repleta de segredos e buracos negros, grudando o espectador na tela.

Abrams, ninguém há de colocar em dúvida, sabe o que está fazendo, já que criou a série mais bem sucedida do gênero, que teve seis temporadas, centenas de perguntas, algumas dezenas de respostas e muitos fãs órfãos no final. Alguém tinha que preencher este buraco na programação - e J.J., como geralmente acontece, foi o primeiro dos roteiristas a ter uma chance de conseguir.

Na história, que estreia neste domingo, dia 23, às 22h, pelo canal pago Warner, o telespectador descobre que a mais famosa prisão dos Estados Unidos não foi desativada por falta de verbas, e os prisioneiros não foram transferidos para outras detenções. Esta é a versão contada para o público americano. Mas a realidade não é essa. De maneira alguma, segundo as palavras de Emerson Hauser, chefe da divisão do FBI responsável por investigar a verdadeira causa da desativação.

A verdade é que, em 1963, todos os prisioneiros e guardas de Alcatraz misteriosamente desapareceram sem deixar rastros. Nos dias de hoje, cada um deles reaparece, sem ter envelhecido uma semana. Hauser, então, com a ajuda da detetive Rebecca e do acadêmico Diego Soto, especialista na prisão, passa a investigar cada caso, e encontrar o paradeiro atual dos maiores criminosos do país, soltos novamente.

Toda a conspiração, como Abrams já provou que sabe fazer, traz as perguntas certas. O roteirista e produtor domina a arte de como lançar as iscas de que precisa para fisgar o fã deste tipo de suspense. Ele conta ainda com um elemento que fãs de Lost, sejam eles fervorosos ou não, devem reconhecer ao primeiro acorde - a trilha sonora magistral de Michael Giacchino.

O compositor, além de ser um notório parceiro de Abrams, é ainda um dos músicos mais premiados da atualidade, com trilhas que vão desde Missão Impossível 3 a Up!, da Pixar. E em Alcatraz não faz um trabalho menor. Sua habilidade de conduzir cada cena e criar o clima certo até para as falas aparentemente sem importância ainda espanta. E, se Giacchino seguir o padrão que o consagrou em Lost, sua qualidade só tende a crescer.

As cenas passadas em 1963 também contam com uma direção bastante apurada e o clima soturno da ilha na época não atrapalha ao construir o suspense para os dois primeiros episódios, já exibidos nos Estados Unidos. A falha da série, que não chega a estragar a intrigante premissa, aparece nas imagens atuais - J.J. Abrams nunca foi um grande escalador de elenco.

Se Jorge Garcia faz um papel bastante adequado como, mais uma vez, o olho do telespectador na trama toda, Sarah Jones falha em interpretar a agente do FBI Rebecca Madsen, o que acaba prejudicando o andamento das cenas. Mas a química com Garcia não escapa aos olhos, e o desencaixe da atriz deve ser limado com o passar dos episódios. O que agride a percepção, no entanto, é Sam Neill, um veterano bastante conhecido em Hollywood que, desta vez, não resiste à canastrice e a todos os clichês em se interpretar um chefe do FBI.

Com a profusão de programas (ruins) do gênero surgindo nos últimos meses - vide The Event e FlashForward - o cargo de novo Lost tornou-se cada vez mais difícil de atingir. Principalmente porque estas séries se deram o trabalho de tentar. Não existe um novo Lost, e não vai existir. Alcatraz, se tivesse ido pelo mesmo caminho, seria um programa desinteressante, como todos os outros que tentaram imitar o vôo 815 da Oceanic Airlines. Mas, por mais que se utilize de modelos, trilhas e manobras de roteiro que lembrem Lost, a sensação que fica é de que tudo que J.J. Abrams quer fazer é entreter por mais seis temporadas, se assim lhe permitirem. Ele poderia ter sido pretencioso o suficiente para decidir superar-se a si mesmo, e teria falhado. Mas não foi isso que aconteceu. De maneira alguma.

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