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Publicada em 20/06/2016 às 09:27 | Atualizada em 20/06/2016 às 10:14

Destaque em Escrava Mãe, Zezé Motta relembra Xica da Silva e fala sobre preconceito

A atriz se emociona com sua trajetória e de como se tornou um sex symbol após a trama de 1976

Da Redação

Divulgação-<I>TV Globo</I>
Divulgação-TV Globo

Zezé Motta é um dos grandes destaques da novela Escrava Mãe, que está sendo exibida atualmente pela Record. Logo no primeiro episódio, a trama atingiu um marco incrível e conquistou o público, já fazendo o maior sucesso. E não tem como falar da participação de Zezé no folhetim sem relembrar de seu papel em Xica da Silva, cuja primeira versão foi exibida em 1976. A novela fez com que a atriz se tornasse um sex symbol e ela comenta, em entrevista ao jornal Extra, de como essa imagem afetou sua vida pessoal.

- Tive que fazer análise, porque Xica ficou no imaginário masculino de um jeito que todo mundo cismou de querer transar comigo. Eu escutava: Ah, fui no banheiro em sua homenagem. As pessoas tinham uma expectativa de que eu ia dar um show na cama, eu me sentia no dever de ser maravilhosa e esquecia o meu próprio prazer. Teve um cara que me disse lá na hora que o sonho dele era transar com Xica. Depois de um tempinho de tumulto, eu me casei, mas me certifiquei de que ele estava se casando comigo e não com ela.

Ela ainda diz que chegou a ser assediada por um taxista por interpretar Xica.

Ele começou a me olhar no retrovisor e disse: É você mesmo? Achava que era brincadeira e comecei a rir, e meu sorriso me entrega. Quando vi, o motorista já estava enfiando a mão por debaixo da minha minissaia e furando todos os sinais. Pensei: Estou ferrada, ele vai me sequestrar. Cogitei sair do táxi andando... Mas ele parou num cruzamento na Avenida Copacabana, um guarda estava perto, então, aproveitei e me mandei. E não paguei, ele já tinha passado a mão em mim.

E por mais que a fama tenha vindo com essa personagem, quando era mais nova, Zezé ainda sofreu o mais puro racismo. 

- Era uma tentativa de embranquecimento que começou na minha adolescência. Quando garota, queria operar o nariz, investiguei se havia cirurgia para diminuir o bumbum. Eu morava num edifício de classe média baixa no Leblon, e a maioria das minhas amiguinhas era branca, e elas me falavam: Ah, gosto tanto de você, mas seu cabelo é duro, né? (risos). Eu me achava feia. Me disseram isso e eu acreditei.

Apesar do preconceito constante, ela também relembra, emocionada, sua trajetória pessoal com um de seus ex-maridos, um arquiteto branco.

- Vivi coisas muito bonitas. Lembro quando fui apresentada à família do Marcos Palma, teve um jantar e fiquei emocionada com a avó dele. O pai dela teve escravos e, quando morreu, a primeira coisa que ela fez foi abrir a senzala, sendo deserdada por isso. Nesse dia, ela me disse que valeu à pena ter vivido tanto para ter, enfim, uma negra na família. A cena me comoveu.

A atriz se casou cinco vezes e teve cinco filhas, mas atualmente está solteira. 

-   Não quero me casar de novo só para não ter que me separar. É complicado. No Dia dos Namorados amarrei um bodinho, tomando vinho e pensando: será que vou envelhecer sozinha? Tenho medo. Quando minha mãe se casou com quase 70 anos de idade (hoje, ela tem 92), pensei com meus botões: Ah, ela está casando para ter uma companhia para jantar, para ir ao cinema e ao teatro. Depois, percebi que não era bem por aí (risos). Sinto falta de sexo, sou uma mulher saudável. Agora, não vou transar por transar. Quero um companheiro. Mas faço as minhas caminhadas, uma vez por semana tem massagem relaxante, tomo meu vinho. Recebo cantada, mas só de rapazes muito mais jovens, e não rola mais para mim. Aqui (a velhice) não é o paraíso.

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