Trazendo de volta suas origens, IZA lança Gueto, primeiro single de seu novo álbum: - Não é sobre ostentação, é sobre ocupação
07/Jan/
A espera acabou! Nesta sexta-feira, dia 4, IZA está lançando Gueto, primeiro single de seu novo álbum. De volta às suas origens, a cantora trouxe o gueto como um local de celebração e ocupação. Nesta semana, a cantora conversou com o ESTRELANDO sobre a nova faixa e sobre a importância da representatividade em seus projetos.
- Eu queria muito que as pessoas soubessem que Gueto é uma celebração de tudo que está acontecendo na minha vida. Mesmo considerando 2020 e 2021, Gueto é uma forma de celebrar de onde eu vim e todas essas conquistas. Gueto não é sobre ostentação, é sobre ocupação. É sobre ser a mina preta e retinta da Zona Norte, estampando vários comerciais onde nunca tinha visto uma mina preta antes, revelou.
Nascida em Olaria, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, IZA guarda boas lembranças da comunidade onde cresceu e buscou transformar o gueto em um local lúdico na estética de seu novo videoclipe.
- Eu lembro sim de um gueto colorido, bem cuidado, que a gente não tinha medo de andar na rua. Que era de lei fechar a rua no domingo e nem precisava avisar para a Prefeitura. Era uma vontade muito grande mostrar esse lugar e tornar esse lugar lúdico, editorial. Por isso a gente tem vários cenários. Ao mesmo tempo que eu venho de Olaria, queria que as pessoas tivessem esse olhar de saudosismo.
Apesar de retratar as ruas, a cantora optou por realizar as gravações do vídeo em uma fábrica, em São Paulo, para evitar aglomerações.
- Como eu queria que Gueto falasse de rua, precisava de uma rua. Mas não queria gravar na rua e isso foi uma dificuldade. Por mais que a gente cerque o perímetro, teste todo mundo envolvido na produção, quando tem gente famosa no meio, a galera se aglomera em volta. Fiquei adiando as gravações até a gente encontrar o cenário perfeito para produzir na pandemia com segurança.
Mais madura e introspectiva, IZA revelou que a pandemia colaborou para essa evolução como artista. Em seu novo álbum, ainda sem nome, a cantora abordará questões como ancestralidade e representatividade.
- Eu entendo que nosso cabelo faz sucesso hoje, mas isso faz parte do que a gente é, da nossa sobrevivência. A gente precisa contar nossa história. Eu não fazia ideia que mulheres escravizadas escondiam arroz nas tranças para alimentar as crianças em casa, eu não aprendi isso na escola. Acho que a gente tem que falar sobre. A gente precisa se ver nos lugares, fora do que a sociedade enxerga pra gente como estereótipo. Eu me sinto vitoriosa, mas estou longe de representar todas as mulheres negras. Uma vez que você é exceção, você tem a obrigação de trazer gente como você. A gente não pode esperar a sociedade abrir as portas e falar: É tão importante representatividade. A gente precisa ser vetor de mudança.
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