Rafa Kalimann comenta desafios na produção de documentário: - Eu coloquei as pessoas dentro da minha casa, dentro do meu parto
16/Jun/
Rafa Kalimann apareceu nesta terça-feira, dia 16, como a convidada para o café da manhã do programa da TV Globo, Mais Você, e comentou sobre o documentário Tempo Para Amar, falando sobre a produção, os motivos que a fizeram produzi-lo e até sobre o trecho que gerou polêmica da sua relação com o marido, o cantor Nattan.
Tati Machado, que está à frente do programa ao lado de Gil do Vigor durante as férias de Ana Maria Braga, abriu a conversa perguntando sobre qual foi a parte mais desafiadora para a influenciadora em produzir o documentário, ao que Rafa respondeu que foi a coragem de se abrir para as pessoas e mostrar suas fragilidades, mesmo ela sentindo que precisava fazer isso e mostrar essa realidade para as pessoas:
- É difícil falar a parte mais desafiadora, porque quando a gente escolhe se abrir de forma tão vulnerável, real e honesta para as pessoas, a gente pode esperar tudo. A gente pode esperar acolhimento, linchamento, entendimento ou não das pessoas. E realmente aconteceu tudo isso, mas para mim era tão claro que eu precisava fazer isso, usar minha voz, meu espaço, minha conexão com o público para comunicar e gerar informação, diálogo, troca e esse acolhimento, esse abraço com outras mães e famílias que, para mim, eu estava consciente de que esse é o propósito. E que deu muito certo, então eu fiquei muito feliz, estou muito feliz de ter tantas trocas com outras mães, famílias falando da importância do documentário e que mudou muitas coisas em casa, buscou ajuda médica, buscou mais informação ainda. São questões que estão ali e que a gente até se depara com elas nas redes sociais, no dia a dia, na vida, mas não de maneira tão aprofundada e tão real, porque eu coloquei as pessoas dentro da minha casa, dentro do meu parto.
Gil do Vigor então quis saber de onde surgiu a ideia de querer mostrar a maternidade de forma tão aberta e real para as pessoas em forma de documentário, e não apenas compartilhando um pouco nas redes socias. A apresentadora disse que pelos meios que ela já conversava com o seu público ficaria difícil de expressar sentimentos que ela nem conseguia dar o nome e que ela entendia que precisavam ser vistos.
- Quando eu estava no quinto mês de gestação, eu me sentia muito sozinha com as minhas emoções. Eram muitos despertares, sensações novas para mim, com muitos: Isso aqui é normal? As pessoas sentem isso? Conflitos acontecem? Esses medos, essas angustias? Mas não era para eu estar serena, feliz, grata e contemplando minha barriga? Não era para eu estar feliz o tempo todo? Como assim eu estou cheia de conflito, insegurança? O que que está rolando aqui? Então quando eu comecei a me deparar com essas questões muito íntimas minhas, eu fui buscar apoio e buscar identificação. É ver outras mulheres vivendo isso também. E obviamente as redes sociais limitam um pouco a gente acessar tão a fundo, intimamente, e conseguir verbalizar. Muitas coisas a gente não consegue dar nome, só mostrar. Então foi a hora que eu falei: Eu tenho como ser porta-voz, esse canal de conversa. Então eu vou ser agora. E foi a hora que eu desenvolvi o projeto e a ideia de fazer reality era exatamente essa, para ter essa conexão com o público mesmo, não ser só informativo. E que outras pessoas para além da maternidade tivessem essas informações e entendessem que, quando uma mulher está grávida, tem muitas camadas que a envolvem que não são só aquele lugar contemplativo e feliz da gravidez.
Foi então que o trecho que gerou polêmica sobre a relação do Nattan com a Rafa e a gravidez veio à tona, quando ela desabafou sobre a tristeza de ver um trecho do projeto ter sido tirado de contexto e mostrado para as pessoas como se os problemas relatados fossem apenas da relação dela com seu companheiro, sendo que o documentário quer mostrar que isso na verdade acontece em várias famílias e que a percepção dos homens sobre a gravidez é diferente das mulheres.
- Não estamos preparados. Eu não acho que ninguém esteja preparado até viver a maternidade, até viver a primeira gestação, porque esse corte é muito brusco. E às vezes a gente pode falar que uma coisa vai acontecer e como as coisas são, mas a hora da ação, do sentir, é muito mais intenso. Eu assisti esse trecho pela primeira vez depois de repercutir na internet de forma tão avassaladora como foi o lançamento do documentário, quando as pessoas viram. E me deixou muito triste por ver o documentário, que traz pautas tão importantes como saúde mental, depressão, frustração de parto, puerpério, volta para o mercado de trabalho, o arco paterno com a dificuldade de entendimento dos homens de forma geral, assim como é para a gente, mas menos falado do que para mulher. E, de repente, eu vi o documentário sendo reduzido a esse momento. Então pegaram esse corte e repercutiram de uma maneira distorcida, porque não assistiram a narrativa completa e levaram para um outro caminho. Um documentário tão importante para a maioria das pessoas se resumiu a essa situação de forma distorcida e limitada, e é a realidade para a maioria dos casais, não é algo só da Rafa e do Nattan. E por isso a gente quis trazer.
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