Daniel de Oliveira relembra momento da infância em que morou no Bagdá, no Iraque
12/Out/
Daniel de Oliveira foi o convidado desta terça-feira, dia 25, no Encontro com Patrícia Poeta, programa da TV Globo, e contou sobre a infância e o tempo que passou morando em Bagdá, no Iraque.
Durante o bate-papo, o ator relembrou a primeira vez que subiu em um palco, e um de seus últimos momentos no Brasil antes de precisar passar um tempo no Iraque. Ele acabou participando de uma apresentação na escola onde fez o Coelho, personagem de Alice no País das Maravilhas.
- Eu tinha seis anos de idade e foi a primeira vez que eu subi em um palco. Meu pai estava longe e eu fiz o coelho do Alice no País das Maravilhas. Minha mãe que fez o figurino do coelho. E quando eu fui fazer esse coelho, eu estava muito nervoso e só conseguia enxergar minha mãe na plateia.
Daniel contou como foi a mudança para o Iraque, contando que os pais estavam separados e, um dia depois da volta do pai para o Brasil, o casal decidiu reatar o casamento fazendo com que todos fossem juntos morar no outro país.
- Ele veio do Iraque, ficou separado da minha mãe dois anos. Na verdade eles casaram, ficaram sete anos, e ele foi para o Iraque, ficou dois anos sozinho lá. Ele voltou, a gente foi buscar ele no aeroporto de Confins, lá em BH. Eles se casaram no outro dia, no mesmo cartório, com o mesmo juiz. O cara até falou: Ué, vocês estão aqui de novo? Vocês não separaram? Enfim, casaram de novo e a gente foi para o Iraque.
E tem mais! O ator disse que morou em um acampamento que levava água para as áreas mais desérticas do país.
- A gente foi morar em um acampamento chamado Cifão, que o lance do Cifão era pegar a água do rio Eufrates e levar para áreas mais desérticas do Iraque. Era uma obra de infraestrutura mesmo. Tinham quatro acampamentos: o Expresso 8, 215, 30 e o Cifão. E foi uma experiência única. Fui para a Babilônia, Bagdá... eu fui umas duas, três vezes. Fui até uma vez sozinho.
Nesse acampamento, Daniel também contou uma de suas primeiras experiências independentes que precisou fazer, ainda pequeno, indo para o médico de ônibus com um conhecido do pai que não falava português, depois voltando sozinho.
- Meu pai falou assim: Você vai com esse cara aqui, e ele não fala português. Ele vai te deixar no médico, depois vai te pegar, te colocar em um ônibus e você vai vir sozinho que eu vou estar aqui te esperando. Quando eu cheguei em Bagdá com esse cara, que não trocou nenhuma palavra comigo, eu fiquei olhando o tempo todo assim pra ele. Foi no meio do deserto, duas horas e meia, mais ou menos. Chegamos e ele meio que só saiu. E eu fui e agarrei nele, porque eu vi que estava todo mundo com as mesmas roupas, mais ou menos. Chegamos lá, eu lembro certinho como era o consultório. Era metade da parede verde e metade branca e eu fiquei olhando... Eu era pequeno, me sentaram assim na maca gelada. Eu lembro de todas as sensações. O cara aperta aqui, aperta ali, língua pra fora, olho. Saí fora, ele me deixou no ônibus, eu fui sozinho. Quando eu baixei lá no acampamento, estava lá meu pai me esperando.
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