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Publicada em 06/12/2019 às 00:04 | Atualizada em 05/12/2019 às 18:45

Filme de Fernanda Torres, O Juízo é nova aposta nacional para o gênero de suspense!

O longa dirigido por Andrucha Waddington está em cartaz nos cinemas brasileiros

Laura Ferrazzano

Divulgação

Surpreendentemente, no cenário nacional, 2019 foi um ano bastante importante para o gênero de suspense e terror. Morto Não Fala e As Boas Maneiras, por exemplo, são alguns dos casos de maiores sucesso dessa nova safra. Alimentando essa nova tendência de mercado, o filme O Juízo, em cartaz nos cinemas, entra, justamente, para explorar esse lugar ainda jovem no Brasil. Para esta nova empreitada, temos aqui um grande representante da família Torres-Montenegro-Waddington: Fernanda Torres é a roteirista, o marido Andrucha Waddington é o diretor, a mãe Fernanda Montenegro como importante parte do elenco e o filho, Joaquim Torres Waddington, em sua estreia no cinema, como um dos protagonistas da história. Ainda integram o cast outros brilhantes atores como Lima Duarte, Felipe Camargo, Carol Castro, Fernando Eiras e, o também músico, Criolo. 

A história acompanha Augusto Menezes (Felipe Camargo), um homem atormentado que decide se mudar com a esposa Tereza (Carol Castro) e o filho, Marinho (Joaquim Torres Waddington), para um fazenda abandonada, herdada do avô, na esperança de colocar a vida nos trilhos. A casa, no entanto, carrega o grande carma da traição do escravo Couraça (Criolo) que busca, ao longo dos séculos, uma vingança contra toda a família Menezes. 

Inseridos em uma atmosfera escura e nebulosa, os detalhes são feitos de forma bastante primorosa. As câmeras trêmulas e o close fechado, junto com o trabalho de luz e de sons, complementam as interpretações dos personagens. Baseando-se em uma paleta de cores majoritariamente fria, temos sempre a sensação de uma aura de frio e medo. Dessa forma, o casarão e os arredores se apresentam como os grandes protagonistas do enredo. A trajetória de cada um é sempre muito ligada a aspectos brasileiros: aqui, o terror é feito com senzala, com mata atlântica, com burro e sanatório. A brasilidade é a grande dona da história. 

Vale ressaltar que, diferente dos clássicos de bilheteria norte-americanos, O Juízo não se apoia em jump scares para criar o horror. Mostrando certa habilidade técnica nesse sentido, com algumas influências de O Iluminado, o longa se ancora na misticidade, explorando o caos emocional e psicológico de Augusto, mas também na religiosidade transmitida pelas entranhas de Minas Gerais. Nota-se, entretanto, a falta de densidade em alguns momentos. Os personagens, por mais interessantes que sejam, não contam com um aprofundamento e, consequentemente, fica complicado de compreender as complexidades daquelas vidas que estão sendo representadas. Em alguns momentos, os grandes conflitos parecem um pouco debilitados, talvez por um certo desamparo do roteiro, que não conta com muitos diálogos esclarecedores. Mas, por mais que o longa não seja o mais original e surpreendente possível, ele não peca. Por ser um gênero difícil que transita lado a lado com o risível e com o ridículo, Fernanda e Andrucha entregam, de maneira muito atraente, tudo o que pode ser esperado pelo público. 

Com uma proposta cativante e específica, o filme, no cenário político e social atual, apresenta uma grande razão de ser. As mini-histórias nada mais são que fragmentos de um todo muito maior, fazendo com que o longa se transforme em uma grande metonímia do Brasil que vivemos. A dívida histórica com os escravos, a pluralidade de crenças e religiões, o extrativismo fantasmagórico, a relação com a natureza, as construções das famílias e, até mesmo, toda a resiliência de um povo sofrido. O Juízo é mais um produto artístico que luta para que certos assuntos continuem em pauta e isso, por si só, já é extraordinário. 

Confira, a seguir, o trailer oficial: 

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