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Publicada em 16/04/2020 às 11:10 | Atualizada em 16/04/2020 às 11:17

Marcelo Adnet detalha os abusos que sofreu na infância: - São várias camadas de dor, de complicação, coisas para se lidar

O humorista participou do Saia Justa e falou sobre como lidou com a situação

Da Redação

Divulgação-TV Globo

Marcelo Adnet foi o convidado da vez do Saia Justa, programa do GNT, e deu mais detalhes sobre os abusos que sofreu em sua infância, quando tinha sete anos de idade. O humorista abriu o jogo sobre como tudo aconteceu e, de quebra, como foi contar para seus pais, anos depois, sobre o que tinha acontecido.

Ele começou dizendo o seguinte:

- Foi difícil na época porque a primeira vez foi com sete anos de idade e eu tive uma grande sorte dos meus pais e avós voltarem para casa logo no momento que ele estava consumando o ato. Então foi uma coisa pra mim quase mágica. No que eu comecei a sentir um grande desconforto, de que havia algo errado... porque a criança não sabe o que é aquilo, a criança não sabe o que é o sexo. Mas ela sabe que existe algo ali que não é saudável, que não é certo, que é construído em cima de uma ameaça. No meu caso ele falou que tinha morrido a cachorra da casa onde eu passava férias no norte fluminense, aqui no Rio [de Janeiro]. A cachorra morreu e eu como uma criança de sete anos amava aquela cachorrinha e ele falou que podia trazer a cachorra de volta, se eu não contasse nada pra ninguém e fizesse o que ele mandava. Então essa foi a ameaça ou então o chocolate que ele me deu, nesse caso. Enfim, isso foi interrompido, eu tomo isso como uma coisa mágica e sentia como criança que aquilo estava errado.

Depois Adnet, que teve uma crise em seu casamento recentemente, relata outra situação:

- E depois teve um outro episódio aos 11 anos que não chegou tão longe, mas mesmo assim é importante, porque aos 11 eu já sabia o que aquilo era. Mas imagina, você aos sete, quando sofre um abuso, quando você descobre o que é sexo você automaticamente descobre que aquilo que fizeram com você era sexo. Então, o seu primeiro contato com a sexualidade, de uma forma racional, educativa, ele é um grande trauma, uma grande dor, porque você acaba entendendo aquilo que aconteceu com você quando criança. Então são várias camadas de dor, de complicação, coisas para se lidar. Mas pra mim o mal dito é o não dito. Não falar e não dizer, porque pra mim foi uma coisa que aconteceu há muito tempo, então eu posso hoje falar com tranquilidade porque eu já tive tempo pra lidar, aceitar, etc. E é isso, eu recebi muitas mensagens legais.

Questionado por Astrid Fontenelle sobre como foi verbalizar esses casos para os pais, Adnet disse:

- [Foi] muito anos depois. Na minha cabeça eu achei que eu tinha falado com os meus pais, mas eu não tinha falado. Eu achei que por algum truque... eu falei com amigos, amigos próximos... e era um assunto que quando surgia eu falava sem problemas, mas com os meus pais eu construí na minha cabeça uma ilusão que eu tinha falado, quando na verdade eu não tinha. Eu falei com a minha mãe há poucos anos sobre isso porque em algum momento eu não queria feri-los, que eles sentissem uma dor que não é deles, porque eles não tiveram culpa, não houve uma culpa dos meus pais direta.

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A seguir, confira 13 homens famosos que já falaram sobre saúde mental:


André Marques passou por uma cirurgia bariátrica em 2013 e teve uma mudança drástica em seu corpo. Apesar de hoje exibir um shape sarado, o apresentador não nega que o processo foi difícil e desgastante. Na legenda da foto acima, publicada em novembro de 2018, André escreveu: No dia 19/11/2013 eu entrava para fazer uma cirurgia que mudaria minha vida.Tinha muito medo de morrer nela. Ouvi do meu médico que era mais fácil eu morrer de doenças associadas à obesidade do que da cirurgia. Foi uma decisão difícil, entrei, chorei... amarelei, desisti e depois tomei coragem e lá fui eu. Se passaram cinco anos. Muita coisa mudou, a maioria para melhor. Faço exames sempre e os resultados são ótimos, até em alguns que é meio comum as taxas terem alguma alteração no caso dos bariátricos, as minhas são excelentes, obrigado papai do céu e à todos envolvidos nessa caminhada. Ouvi muita coisa contra, gente falando que eu ia morrer, gente que depois dizia que operando é mole, cadê a força de vontade? Esses comentários me irritavam no início, mas depois passou, guardei e dei atenção apenas às milhares de mensagens que recebi de apoio, de pessoas que operaram por minha causa e estavam felizes. Isso que valeu e vale mais. Com quatro meses minha diabetes adquirida tinha desaparecido, uma alegria, pois eu já estava enxergando muito mal! Não faço apologia à cirurgia não, falo só o que ela fez pra mim, no meu caso foi ótimo, só me trouxe benefícios. [...] ADORARIA ter perdido meus 70 quilos com reeducação ou dieta. Não consegui e estava no fundo do poço, mas eu sei que no fundo de cada poço tem mola! E de lá saí, da maneira que consegui. Fui obrigado a me reeducar na marra. Hoje como de tudo, tudo mesmo, em menor quantidade, demora a adaptação, ainda aprendo coisas diariamente. Depois que perdi esses 70 quilos, estabilizei, depois engordei um pouco, emagreci um pouco, engordei novamente e emagreci novamente, assim vou levando. É uma luta diária, a cirurgia não é a cura da obesidade, mas um método bem eficaz!
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Marcelo Adnet detalha os abusos que sofreu na infância: <i>- São várias camadas de dor, de complicação, coisas para se lidar</i>

Marcelo Adnet detalha os abusos que sofreu na infância: - São várias camadas de dor, de complicação, coisas para se lidar

O humorista participou do Saia Justa e falou sobre como lidou com a situação

16/Abr/2020

Da Redação

Marcelo Adnet foi o convidado da vez do Saia Justa, programa do GNT, e deu mais detalhes sobre os abusos que sofreu em sua infância, quando tinha sete anos de idade. O humorista abriu o jogo sobre como tudo aconteceu e, de quebra, como foi contar para seus pais, anos depois, sobre o que tinha acontecido.

Ele começou dizendo o seguinte:

- Foi difícil na época porque a primeira vez foi com sete anos de idade e eu tive uma grande sorte dos meus pais e avós voltarem para casa logo no momento que ele estava consumando o ato. Então foi uma coisa pra mim quase mágica. No que eu comecei a sentir um grande desconforto, de que havia algo errado... porque a criança não sabe o que é aquilo, a criança não sabe o que é o sexo. Mas ela sabe que existe algo ali que não é saudável, que não é certo, que é construído em cima de uma ameaça. No meu caso ele falou que tinha morrido a cachorra da casa onde eu passava férias no norte fluminense, aqui no Rio [de Janeiro]. A cachorra morreu e eu como uma criança de sete anos amava aquela cachorrinha e ele falou que podia trazer a cachorra de volta, se eu não contasse nada pra ninguém e fizesse o que ele mandava. Então essa foi a ameaça ou então o chocolate que ele me deu, nesse caso. Enfim, isso foi interrompido, eu tomo isso como uma coisa mágica e sentia como criança que aquilo estava errado.

Depois Adnet, que teve uma crise em seu casamento recentemente, relata outra situação:

- E depois teve um outro episódio aos 11 anos que não chegou tão longe, mas mesmo assim é importante, porque aos 11 eu já sabia o que aquilo era. Mas imagina, você aos sete, quando sofre um abuso, quando você descobre o que é sexo você automaticamente descobre que aquilo que fizeram com você era sexo. Então, o seu primeiro contato com a sexualidade, de uma forma racional, educativa, ele é um grande trauma, uma grande dor, porque você acaba entendendo aquilo que aconteceu com você quando criança. Então são várias camadas de dor, de complicação, coisas para se lidar. Mas pra mim o mal dito é o não dito. Não falar e não dizer, porque pra mim foi uma coisa que aconteceu há muito tempo, então eu posso hoje falar com tranquilidade porque eu já tive tempo pra lidar, aceitar, etc. E é isso, eu recebi muitas mensagens legais.

Questionado por Astrid Fontenelle sobre como foi verbalizar esses casos para os pais, Adnet disse:

- [Foi] muito anos depois. Na minha cabeça eu achei que eu tinha falado com os meus pais, mas eu não tinha falado. Eu achei que por algum truque... eu falei com amigos, amigos próximos... e era um assunto que quando surgia eu falava sem problemas, mas com os meus pais eu construí na minha cabeça uma ilusão que eu tinha falado, quando na verdade eu não tinha. Eu falei com a minha mãe há poucos anos sobre isso porque em algum momento eu não queria feri-los, que eles sentissem uma dor que não é deles, porque eles não tiveram culpa, não houve uma culpa dos meus pais direta.

Pesado, né?

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