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Publicada em 13/08/2020 às 09:10 | Atualizada em 13/08/2020 às 10:30

Sandy fala sobre turnê com Junior Lima: - Fui muito feliz, mas não sou aquela pessoa

Em entrevista a Marcos Mion, a cantora abriu o jogo sobre a carreira

Da Redação

Divulgação

Sandy surpreendeu na última quarta-feira dia 12, ao bater um papo bem sincero com o apresentador e amigo de longa data, Marcos Mion. A cantora abriu o jogo sobre a carreira solo e também como foi a trajetória ao lado do irmão, Junior Lima,  contando como sentiu após a realização da turnê Nossa História, quando comemorou com o músico os 30 anos de carreira deles. 

Mion quis saber qual é a Sandy de atualmente, se é a cantora solo ou a artista que fez apresentações grandiosas ao lado do irmão por anos. Sem pensar duas vezes, a cantora revelou que tem absoluta certeza de quem é hoje em dia, embora não queira passar uma má impressão aos fãs da dupla:

 - Eu espero não passar a impressão errada. Eu sou extremamente grata, extremamente realizada com toda a minha história. Eu fui muito feliz cantando com o meu irmão, fui muito feliz na turnê do ano passado, mas eu não sou aquela pessoa. Eu me diverti, corri pro abraço, me joguei de verdade, foi muito legal. Foi interessante saber que eu ainda sei ser aquela artista. Eu estava com muito medo de novo, assim como naquele momento atrás quando fui ser a Sandy solo me deu medo do que eu ia encontrar, ano passado me deu muito medo também. Será que sei ser essa artista pop, subir em palco gigantesco, com LED, com banda, balé, holofote, gente esperando, filas quilométricas, 100 mil pessoas na Cidade do Rock, um Rock in Rio só para nós.

E continuou:

- Ainda que quando começou, não tinha dimensão. O projeto era para ter 10 shows, era para ser em lugares muito menores e depois virou tudo aquilo, uma turnê gigantesca, uma loucura. Eu já estava assustada sem saber. Será que eu sei ser essa artista? E aí fui lá e vi que conseguia e foi maravilhoso isso. Entender que tenho essa versatilidade, ainda tenho essa veia pop se eu quiser explorar. Foi uma experiência muito rica, um aprendizado enorme, até para conquistar um pouco mais de confiança. Não sou muito confiante e segura sempre. Foi muito bom para mim também.Mas eu sou a Sandy solo, estava louca para voltar para isso aqui e agora estou muito realizada e feliz com tudo o que aconteceu no ano passado e muito feliz em poder voltar ser só eu, o que eu já tinha entendido de mim mesma e já vinha traçando em dez anos de carreira solo. Essa sou eu!

A decisão de seguir solo 

No bate-papo de apenas três perguntas, mas que durou mais de uma hora, Sandy também explicou o longo processo que ela e o irmão tiveram que enfrentar para entender que gostariam de seguir carreiras independentes. A cantora explica que até passou por um momento difícil, em que chegou a perder os cabelos por causa do medo que sentiu:

- Era muito medo, eu fiquei apavorada, perdi metade do meu cabelo. Queda de cabelo, na medicina chinesa, está ligada ao medo. Eu fiquei com muito medo. Mas foi mesmo um salto de fé, uma aposta, tipo: E agora? Ficamos um mês conversando, quando eu e meu irmão tivemos a conversa só nós dois e chegamos à conclusão ‘vamos encerrar a dupla’, a gente ficou um mês pensando, refletindo e ponderando. E depois que a gente estava mais seguro e convicto é que falamos ‘vamos comunicar’. Estava saindo de uma coisa que fiz uma vida inteira para ir para um terreno completamente novo, sem saber o que eu ia encontrar e pisar. Quando lancei meu primeiro disco solo, eu até fiz um pequeno documentário falando sobre isso porque passei por um momento de muita imersão, tive que fazer muita terapia para ir desfazendo esses medos, conversar com quem eu amo e confio, para entender qual tipo de música eu queria fazer, entender a artista que eu seria. Eu comecei do zero nessa parte artística. Eu era uma nova artista, tive que ir tirando da frente esses fantasmas um por um, que acabam aparecendo quando você fecha um ciclo. 

A ideia de traçar um caminho sozinha fez com que Sandy se reencontrasse como artista e pessoa:

 - Eu acordei uma artista solo que estava começando, entre aspas do zero, estava traçando um novo caminho, mas com uma bagagem gigantesca que adquiri em 17 anos com o meu irmão. Foi uma escolha. Eu não costumo ser impulsiva para tomar decisões, eu pondero muito, penso nos prós e contras. Eu faço tudo muito baseado na razão, ponderei muito essa questão, busquei em mim o que eu queria. Faço terapia desde os 18 anos, tinha 24 anos quando a gente terminou a dupla. Mas eu terminei com uma convicção, eu busquei aquilo, eu precisava me reinventar como artista, precisava fazer uma coisa que fosse só minha e um momento de recolha. Vivi muito tempo naquilo de show enorme, estádio lotado, números, sucesso. Vivi muito tempo isso e eu estava buscando outra coisa. A gente sabia como era nossa rotina e a falta dela. Mas a gente não tinha noção do tamanho do sucesso. Quando você tá dentro, é difícil olhar com esse olhar mais objetivo e saber dimensionar. Não é possível. Eu pude olhar depois que acabou a dupla e também depois da turnê. Eu queria ser menor, eu escolhi isso porque já não era mais do que estava me alimentando como artista. O estilo de música que eu estava buscando fazer, entendo que estava dentro de mim, ele não condizia com show em estádio. Aquilo que eu estava buscando era um tipo de música para lugar mais quieto, lugar menor, para um público mais seleto, menos popular, mais de nicho. E isso combina mais com minha personalidade, com minha pessoa.   

Personalidade

Sandy também falou como se enxerga como pessoa, ressaltando que não importava em ter menos sucesso para trilhar um caminho com apenas coisas que gostava de fazer:

-Eu sou reservada, sou sonhadora e romântica. Gosto de compor, de fazer arte, de mergulhar em mim. Gosto de projetos que me expressem como artista e pessoa. Eu recolhi tudo assim, nessa intenção de olhar para dentro e ser inteiramente quem eu sou. Estando em dupla, eu era metade e meu irmão também era metade, a gente se complementava muito bem, e a gente foi muito feliz fazendo aquilo. Mas tinha chegado o momento de eu ser só eu e ele ser só ele. Isso foi muito rico, foi transformador. Significava também dar um passo para trás na visibilidade, sucesso e tudo mais. Mas eu já não tinha nada a provar pra ninguém, nem para mim mesmo. Eu não fiquei viciada em sucesso, era viciada no trabalho, no que eu fazia e alimentava a alma. Era esse meu gosto.

Assédio

Mion ainda quis saber como Sandy lidou com o assédio do público após se lançar na carreira solo

- Era um pouco mais tranquilo, pude ser mais pessoa física em alguns momentos, do que antes. O assédio mudou um pouquinho, depois de bastante tempo. Acabou em 2007, mas demorou um tempo. Em 2008 eu não fiz projeto nenhum, ganhei prêmio como celebridade do ano. Estava só fazendo faculdade, não fazia nada artisticamente. Demorou um pouco para as pessoas se acalmarem, disse ela.

E completou que ficou assustada quando precisou lidar novamente com o assédio dos fãs ao anunciar a turnê com o irmão: 

- Foi muito claro para mim, no dia que eu fui fazer o Caldeirão do Huck, logo depois que a gente tinha anunciado o projeto. Nesse intervalo de uma semana, eu não tinha saído para qualquer lugar, estava nas minhas reuniões, não tinha saído publicamente. No primeiro compromisso, que foi o Huck, quando eu cheguei no aeroporto tinha muito mais gente. Quando cheguei na Globo, eu estava com a mochila do Téo, totalmente mãe, nos bastidores tinha tanto fotógrafo e tanta gente da própria Globo, que estava me acostumada a ver. Tinha uma plateia me esperando, corredores fechados para barrar as pessoas querendo chegar, aquela cena de filme. Não tem como esperar, aquele dia eu fiquei assustada. Meu celular não parava, o dia que abriu para comprar os ingressos, até mudei de número. Foi uma comoção, tudo no mesmo dia, foi tão puxado emocionalmente lidar com aquilo. Eu pensava: sou só um ser humano, eu sou a mesma de sempre e agora está o Brasil inteiro querendo saber o que aconteceu comigo e com meu irmão. Todo mundo se aproximando, querendo ingresso, pensava: meu deus, o que eu faço agora? Foi muito louco!

Veja, abaixo, a entrevista completa:


A seguir, relembre as polêmicas e críticas que a dupla teve que enfrentar ao longo da carreira: 


No começo de 2019, os irmãos anunciaram que fariam uma turnê especial para comemorar os 30 anos na estrada e o público, é claro, foi à loucura. A compra de ingressos foi super concorrida, e mesmo depois de anunciarem shows extras, vários fãs que dormiram na fila para comprar a entrada na apresentação ficaram de mãos vazias. Isso fez com que houvesse uma forte especulação de que os pontos de venda estariam favorecendo os cambistas, que venderiam os tickets a um valor bem mais caro. A dupla não se pronunciou sobre o assunto, e isso fez com que até mesmo fã-clubes destinados a Sandy & Junior suspendessem suas atividades como forma de protesto. Depois de muita polêmica, os dois vieram a público esclarecer o assunto. Em trecho de um texto publicado pela dupla, eles disseram: Os ingressos dos shows ficaram escassos. Esgotaram em horas. Gerou frustração em muitos (saibam que é nossa também!), desencadeou diversos questionamentos que estão, sim, sendo apurados por todas as equipes do projeto. [...] Estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance. Confiem que estamos cientes de tudo. E pensando nas melhores soluções que forem possíveis. Aproveitamos para reforçar que repudiamos qualquer tentativa de fraude e comércio ilegal dos ingressos. Por favor, não comprem fora dos canais oficiais. Tenso, hein?

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