Família de João Rebello decide recorrer após absolvição de acusado pela morte do ex-ator mirim
16/Out/
A família de João Rebello decidiu recorrer da absolvição de Felipe Souza Bruno, conhecido como Zingue, acusado de envolvimento na morte do ex-ator mirim da TV Globo. O artista foi assassinado a tiros em outubro de 2024, aos 45 anos de idade, em Trancoso, distrito de Porto Seguro, na Bahia. A decisão de buscar a revisão do julgamento foi anunciada pela irmã de João, Maria Carol Rebello, que demonstrou insatisfação com a condução do processo.
Em entrevista ao jornal O Globo, Maria Carol afirmou que os familiares ficaram decepcionados com a atuação da promotoria durante a sessão do tribunal do júri. Segundo ela, a postura dos responsáveis pela acusação teria enfraquecido a defesa da condenação, deixando o advogado da família em uma posição difícil durante o julgamento.
A irmã do artista também fez críticas à conduta do promotor e relatou desconforto com situações que, em sua avaliação, prejudicaram o andamento da sessão. Apesar da frustração com o resultado, ela afirmou que a família decidiu recorrer por acreditar nas informações reunidas durante as investigações.
Depois da decepção com a absolvição, e depois de muito refletir sobre o que vivemos no tribunal, decidimos recorrer da decisão da Justiça. Decidimos assim porque acreditamos muito na coerência dos fatos investigados e apurados. E, principalmente, presenciamos no tribunal do júri um descaso da parte da promotoria e da juíza. Os advogados de defesa são muito preparados para esse tipo de réu, e a promotoria não jogou do lado da Justiça, entregou de bandeja a absolvição tirando totalmente a força do nosso advogado que defendeu sozinho a condenação. Além do fato que o promotor agiu de forma desrespeitosa, atrapalhando a fala do nosso advogado ao trazer no colo seu filho, um bebê de no máximo 2 anos, para brincar com a juíza. Ele trouxe o questionamento sobre a preocupação dele com a segurança e identidade da sua família já que estávamos na presença de um suspeito de envolvimento com o crime organizado e um assassinato, disse Maria Carol ao jornal.
Nas redes sociais, na última quarta-feira, dia 14, Maria Carol também se manifestou sobre a absolvição e reforçou que os familiares desejam compreender as circunstâncias que levaram à morte de João. Na publicação, ela voltou a questionar quem teria ordenado o crime e quem foram os responsáveis pelos disparos que mataram o artista.
Tudo o que a gente sempre quis foi entender o que aconteceu e o que levou a esse ENGANO horroroso. A índole do meu irmão nunca foi questionada, desde o início sempre ficou claro que ele foi assassinado por engano. Mas fica o questionamento do que aconteceu, quem mandou fazer e quem fez essa atrocidade, escreveu ela nos Stories do Instagram.
Acusado foi absolvido pelo tribunal do júri
Felipe Souza Bruno foi absolvido na terça-feira, dia 13, após o Conselho de Sentença entender, por maioria, que não havia provas suficientes para condená-lo pelo homicídio. Durante o julgamento, o próprio promotor Igor Saulo Ferreira Rocha Assunção mencionou a ausência de confirmação da autoria do crime. Após a decisão, a juíza responsável pelo caso determinou a expedição do alvará de soltura do acusado.Outros dois suspeitos também foram mencionados nas investigações.
Um deles teve a punibilidade extinta após morrer em julho de 2025. Já o terceiro não foi levado a julgamento pelo tribunal do júri.Na época do assassinato, as autoridades da Bahia afastaram a hipótese de que João tivesse ligação com atividades criminosas. A linha investigativa apontava que ele teria sido morto por engano, após ser confundido com outra pessoa que estaria ameaçada por sua suposta ligação com policiais.
João Rebello foi encontrado sem vida dentro de seu carro, em uma área central de Trancoso. Segundo relatos de testemunhas às autoridades, dois homens em uma motocicleta se aproximaram do veículo e efetuaram os disparos. O artista estava sozinho no automóvel.Sobrinho do diretor Jorge Fernando, que morreu em 2010, João construiu uma carreira na televisão ainda na infância.
Entre as décadas de 1980 e 1990, participou de novelas da TV Globo, como Cambalacho (1986), Bebê a Bordo (1989), Vamp (1991), Deus nos Acuda (1992) e Zazá (1997). Depois de mais de uma década dedicada à atuação, ele seguiu outros caminhos profissionais. Morador de Trancoso com a esposa, Karine, João trabalhava como DJ, sob o nome artístico Vunje, além de dirigir videoclipes e atuar como produtor musical.
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