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Publicada em 07/07/2020 às 12:16 | Atualizada em 07/07/2020 às 12:46

Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, revela bom humor do filho horas antes de sua morte

Ela também contou como o cantor se sentiu após revelar que estava com AIDS

Da Redação

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Lucinha Araújo, mãe do cantor Cazuza, preparou algo especial para celebrar a vida do filho neste período de isolamento social. Todos os anos, ela manda rezar uma missa no dia da morte do músico - que nesta terça-feira, dia 7, completa 30 anos. Agora com a quarentena, Lucinha recorreu à missa online, que será transmitida no Facebook da Paróquia da Ressurreição do Rio de Janeiro. A cerimônia terá início às 19 horas. 

Sempre peço para celebrar uma missa tanto no aniversário de nascimento dele como no de morte, e do João (Araújo, morto em 2013) também, sempre na Paróquia da Ressurreição (Ipanema), mas este ano vou fazer virtual, apesar de as igrejas terem reaberto. A ideia foi do Padre José Roberto, meu amigo, contou Lucinha, em entrevista ao jornal O Globo.

Ela também admitiu que tinha pensado em passar esta data de uma maneira bem diferente.

Ia ter um bando de coisas. Agora, precisamos esperar acabar esta pandemia. Uma delas é o musical Cazas de Cazuza, que estava a ponto de voltar ao Vivo Rio, que fechou. Um espetáculo lindo, que estreou há mais de 20 anos e ficou um mês no Canecão, sempre lotado. Passados tantos anos, eles montaram um novo elenco, fui ver o último ensaio, já tinha até convite vendido. Vai ficar para o ano que vem, eu acho. Mas este é diferente, o outro era um musical, este traz quatro Cazuzas, mostra os relacionamentos que ele tinha. Agora vamos esperar.

A mãe do cantor ainda revelou que Cazuza prezava pelo bom humor mesmo horas antes de sua morte.

Faltando 12 horas para ele morrer, eu entrei no quarto e ele virou para mim: Mamãe, estou morrendo. Eu disse, Não faz isto, você disse para mim que não ia falar nesse assunto, você sabe que esta palavra morte não se fala aqui em casa. Aí ele respondeu: De fome mãe, de fome. O que tem para rangar?.

A maior lembrança de Lucinha do filho, inclusive, foi quando ele anunciou para o Brasil que estava doente.

O legado não foi só de coragem, que não conheço outra pessoa no Brasil com tanta coragem. Quando ele quis anunciar que estava com Aids, ele me disse Eu não aguento mais esconder que estou doente, vou abrir a boca e vou falar, eu pedi para ele não fazer isso. As pessoas vão ficar com medo de você. Mas ele rebateu: Não importa. Faz todo sentido para uma pessoa que canta Brasil! Mostra tua cara, que não pode esconder a sua num momento destes.

Ela ainda cita a evolução do tratamento da AIDS desde a época em que o filho estava vivo até agora.

Ele nunca foi tão amado na vida dele como depois que declarou que estava doente. Achei também que aquilo foi um exemplo para milhões de soropositivos não viverem escondidos. Na época dele, infelizmente, só havia o AZT. Trinta anos depois, há 26 diferentes tipos de medicamentos retrovirais, os chamados coquetéis que, nada mais são do que a mistura de dois ou três, de acordo com o exame médico. Ainda há pessoas que acham que é só chegar na farmácia e pedir: Me dá um coquetel para Aids, mas não é nada disso. Minhas crianças (da Sociedade Viva Cazuza) todas tomam e estão perfeitas de saúde.

Lucinha aproveitou para dizer que aprova a atuação de Emilio Dantas no musical Cazuza - Pro Dia Nascer Feliz.

Este menino virou um astro, aliás, com todo merecimento, ele é um espetáculo, fez um Cazuza perfeito, assim como o Daniel de Oliveira no cinema. O Cazuza é pé quente, porque todos os dois fizeram sucesso e entraram para o primeiro time de atores.

A mãe do astro admite que não tem medo da morte.

Eu vivi a pior coisa que a morte pode oferecer, ver meu filho condenado à morte, porque naquela época era isso ou nada. Para mim, hoje em dia, virei uma outra pessoa. Pode acontecer qualquer coisa, seja o que for, que eu vou achar pouco.

E fala sobre os sonhos que ainda tem com o filho.

Sonhava muito, agora menos. Tenho sonhado mais com João (Araújo), que morreu há menos tempo e deve estar reclamando ainda. Mas no Cazuza eu penso todos os dias, e falo dele também. Volta e meia, eu cito que ele falaria isso ou aquilo, as opiniões dele são atuais. Ele não era fácil, neste ponto saiu ao pai, apesar de o João ser muito diferente de mim em relação ao temperamento. Ele era uma pessoa discreta, eu indiscreta. A verdadeira exagerada sou eu, não era o Cazuza. Rio e falo alto, não devo nada a ninguém. Uma coisa boa da velhice é que você fala tudo o que você quer.

Emilio Dantas também relembra Cazuza

Na manhã desta terça-feira, dia 9, Emilio Dantas participou do programa Encontro com Fátima Bernardes e falou sobre a experiência de ter atuado em um musical que celebrava a vida e a obra de Cazuza.

Marcou sem dúvida porque muita gente fala de Cazuza. Acho que todo personagem é um divisor. Todo personagem que vem, depende um pouco do que foi. Mas, em relação a reconhecimento, com certeza. Foi uma montanha-russa para mim. Não sei se para quem assistia era tão intenso assim e vibrante como a experiência que eu passava ali. Eu não peguei muito essa fase do Cazuza. Então, o musical trouxe para mim essa pesquisa da história dele, muito mais que eu teria sem passar por essa experiência.

Ney Matogrosso foi outro a se manifestar

Ney Matogrosso, que teve um romance com Cazuza no passado, foi outro que fez questão de falar sobre o cantor nesta terça-feira. No Instagram, o músico publicou uma foto do seu antigo amor e escreveu Hoje, 30 anos sem Cazuza na legenda. Veja abaixo:

Ver essa foto no Instagram

Uma publicação compartilhada por Ney Matogrosso (@neymatogrosso) em

A seguir, veja o que a cinebiografia de Cazuza esqueceu de contar:

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