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Publicada em 27/06/2019 às 23:01 | Atualizada em 27/06/2019 às 16:35

Diretor de Brasilis, Mauro Sousa fala sobre a importância da diversidade em Turma da Mônica: - Faz parte do nosso DNA

Mauro está por trás de mais uma edição do Circo Turma da Mônica, que desta vez abordará a diversidade cultural

Carolina Rocha

Divulgação

Como você viu aqui no ESTRELANDO, o Circo Turma da Mônica - Brasilis estreará já no próximo sábado, dia 29, em São Paulo. O espetáculo é uma superprodução circence-musical e celebra a diversidade cultural brasileira, além de representar os 60 anos de história da Mauricio de Sousa Produções. A atração, que passará por dez cidades e contemplará as cinco macrorregiões do Brasil, ainda tem no elenco Fafy Siqueira, Paula Lima, os personagens da Turma da Mônica e muitos outros artistas. E o diretor e produtor-geral do espetáculo, Mauro Sousa, falou um pouquinho mais deste projeto em uma entrevista exclusiva! Para começar, Mauro explicou de onde surgiu o nome Brasilis, que é a cara do musical.

- Foi o primeiro nome que a gente pensou desde o princípio, uma vez que a nossa intenção era, justamente, resgatar, na nossa visão, as nossas principais origens: a africana, a europeia e a indígena. Como a gente já ia falar sobre o Brasil no período em que colonizaram o país, que os índios já estavam aqui, foi essa a nossa intenção sempre. Eu queria que fosse um nome que realmente tivesse uma ligação direta com a Pátria Amada Brasil, já que o espetáculo é um evento brasileiro. E lembrando que Terra Brasilis era o nome que o Brasil tinha antes dos portugueses chegarem no Brasil. 

Ele também revelou qual o maior desafio de toda essa produção. 

Olha, o desafio é sempre conseguir montar toda a quebra-cabeça que é a criação de um musical. O musical é uma grande engrenagem com várias partes que precisam acontecer, independentes e ao mesmo tempo. Então é conseguir casar a direção, que tem que casar com a música, que tem que casar com a cenografia, com a coreografia, com a comunicação, e assim por diante. Organizar todo o quebra-cabeça e toda essa engrenagem é o meu desafio como diretor e produtor-geral do espetáculo. 

O espetáculo, que contará também com os personagens Papa-Capim, Jurema e Milena, ainda tem a preocupação de trazer protagonismo para todos os personagens - ainda mais com um tema tão inclusivo, como a diversidade. 

- Esse ponto é bastante importante, o de justamente trazer protagonismo para todos os personagens. Não apenas para a Mônica, mas para todos: o Chico Bento, a Magali, o Cebolinha, o Cascão, a Milena, e também para o Papa-Capim e a Jurema. E eles vão sim ter uma participação super especial no espetáculo, assim como a própria Paula [Lima], a nossa cantora, e a Fafy [Siqueira], como a nossa protagonista. Então a nossa intenção é justamente trazer protagonismo para todos, e esse raciocínio não é só para o palco, mas em todas as partes do projeto. A gente tem a diversidade acontecendo na criação do figurino, na coreografia, no design, na música... 

Mauro garantiu que os projetos da MSP são para todos: adultos e crianças! Brasilis, claro, também tem essa característica. 

- É importante reiterar que o nosso público é da família, não apenas o das crianças. A nossa intenção não é fazer apenas com que as crianças se emocionem e se sintam representadas ali, mas também os adultos e a família toda. 

A Turma da Mônica, inclusive, já está com 60 anos de história e, nesse meio tempo, muita coisa mudou. Entretanto, o cuidado da MSP é o de manter a diversidade e a inclusão em seus projetos - como o Brasilis - para que cada vez mais pessoas aprendam sobre respeito e pluralidade.

- Todo esse trabalho que a gente tem feito em relação à diversidade étnica, cultural... esse tem sido o nosso foco em todos os projetos da Mauricio de Sousa Produções. E é por isso que nós estamos criando um comitê de diversidade na MSP, para que realmente nós tenhamos esse assunto bem forte e bem fundamentado com os funcionários e dentro de casa, e para que isso possa repercutir em todos os projetos que saem daqui. Estamos pensando nisso já há algum tempo, o Brasilis é o resultado desse trabalho assim como outros que têm acontecido: as próprias graphic novels, o nosso instituto [o Instituto Mauricio de Sousa], ou até mesmo no Parque da Mônica. Então sim, vamos manter isso cada vez mais forte. Isso faz parte do nosso DNA, dos nossos valores e da filosofia da MSP, defende Mauro.

Essa postura, entretanto, pode gerar algumas críticas. E essas colocações, afirma Mauro, são bem-vindas

- A gente tem crítica sempre, né? E não só com isso, mas com relação a qualquer atividade que a gente faça. Mas nós enxergamos essas críticas como algo produtivo para nós, algo construtivo, a gente ouve todas elas, reflete sobre todas. No Brasilis não vai ser diferente. Estamos sempre preparados. O mais importante é que tenhamos um alinhamento com os diretores, presidentes, com os funcionários aqui dentro da MSP para que tenhamos claro qual é a nossa opinião, qual é a nossa postura, como que devemos nos colocar... Para que mesmo quando houver críticas, a gente esteja certo da nossa posição, para que esteja claro o que a gente quer e aonde a gente quer chegar. E com isso a gente fica confiante, de estar fazendo aquilo que a gente acredita, que seja o certo e que seja o mais apropriado para a nossa marca. 

Um dos assuntos que acabou recebendo a atenção do público foi o anúncio de Milena, a primeira personagem negra feminina da Turma da Mônica. Apesar de algumas ressalvas e, talvez, de um susto inicial, a personagem acabou sendo um acerto grande dentro da turminha.  

- Com certeza, vide as inúmeras crianças, adultos e famílias negras que vêm pra gente, muito emocionadas, se sentindo representadas. Digo, em nome da MSP, que sim, nós chegamos tarde com isso. Acho que a Milena deveria estar protagonizando gibis, espetáculos, e tudo já há algum tempo. Mas que então seja agora a hora! É a melhor hora. Estamos com ela aí, linda, poderosa, maravilhosa e representando muitas famílias, crianças e adultos afrodescendentes. Ficamos muito felizes com a repercussão e ela veio para ficar!, celebra o diretor.

Por fim, Mauro fala sobre a personalidade do pai, Mauricio de Sousa, que também é um porta-voz da diversidade. 

- Isso é dele, viu? O meu pai é assim, humilde, muito cabeça-aberta. Ele está sempre querendo crescer. Eu acho que não tem a ver com idade, tem a ver com o caráter da pessoa. De entender que, mesmo com 83 anos, ele tem muito o que aprender. E ele está muito a fim de aprender! E isso é o mais bonito, é o que mais eu admiro nele, e eu espero que eu chegue aos meus 83 desse mesmo jeito: humilde e querendo sempre alcançar novos voos, com novos objetivos, e sempre com muitas ideias, com muita energia. Isso vem da própria personalidade e do caráter dele. Ele é assim e espero que isso esteja no meu gene. 

Legal, né? Abaixo, confira a sinopse oficial do Circo Turma da Mônica - Brasilis:

Já é noite na Vila Abobrinha. Sob o céu estrelado e aos sons da natureza, Mônica, Magali, Cebolinha e Cascão estão brincando na casa do Chico Bento e falam sobre as diferenças entre a cidade e a roça. De repente, eles se deparam com a seguinte pergunta: o que é diversidade cultural? Para responder, Vó Dita, com toda sua experiência e sabedoria, contará as mais lindas histórias sobre nossas principais origens: indígenas, negros e europeus. Por meio de uma grande aventura na imaginação, a Turma da Mônica vai se encantar com as riquezas da história e da cultura brasileira, e ainda se encontrará com queridos amigos, como Milena, Papa-Capim e Jurema, para deixar a viagem ainda mais divertida! Com cenários grandiosos, muita tecnologia, efeitos especiais, mais de 100 figurinos e um elenco afiado de bailarinos e artistas circenses, a Turma da Mônica envolverá o público nessa aventura para descobrir um pouco mais sobre o nosso país e sobre nossas raízes.

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