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Publicada em 24/09/2019 às 11:45 | Atualizada em 24/09/2019 às 12:07

Jesuíta Barbosa fala sobre sexualidade e desabafa: - Não preciso ficar falando que sou homem

No Conversa com Bial, o ator ainda falou sobre homossexualidade e Ícaro Silva, o outro convidado do programa, relembrou quando seu carro foi alvo de bala perdida

Da Redação

Montagem-Divulgação

Jesuíta Barbosa e Ícaro Silva representam atores da nova geração que colocam a cara a tapa e costumam debater assuntos que ainda causam polêmica na sociedade. Por isso, ao participarem do Conversa com Bial na última segunda-feira, dia 23, os dois tocaram em assuntos importantes para a sociedade, levantando questões relevantes em bate-papo com Pedro Bial. 

Entre debates sobre trabalho e sexualidadeJesuíta entregou como se sentiu quando falou da homossexualidade e criticou a curiosidade em torno da vida pessoal. 

- Tem um retorno da mídia de querer saber da sua sexualidade, o que você faz, tenho impressão que a gente sempre tem que falar disso socialmente. Quais são os problemas que nós temos na sociedade? E, sobre sexualidade, temos essa cultura que é sexista, que oprime a mulher, o feminino. Eu não posso enquanto homem não estar em função disso. Eu acho que eu preciso, enquanto artista também, reafirmar o poder feminino. Não preciso ficar falando que sou homemA gente tem que estar em função da mulher, respeitá-la, e respeitar também a comunidade LGBT e todas as diferenças.

De Pernambuco, o ator garantiu que os nordestinos continuam sofrendo com preconceito e lembrou um episódio recente que passou.

- O sudeste carrega ainda um preconceito, ainda que seja montado e todo feito por nordestino. Vale a pena a gente bater de frente e fazer a pessoa entender que não é daquele jeito.

Ícaro falou sobre a sua negritude e contou que aprendeu muito ao interpretar o cantor Simonal no musical feito por ele em 2015. O ator lembrou que o músico sofreu com racismo na época da ditadura militar por causa de seu sucesso, mas que levou para si uma lição importante:

- Nenhum status social vai te tirar da sua condição de afrodescendente no Brasil. Eu acho que o Simonal caiu em uma armadilha, ele achou que ter dinheiro suficiente era fazer parte dessa branquitude, aqueles que estão no poder no Brasil desde sempre. Ele caiu, acreditou e foi em alguns sentidos reprodutor do racismo.

Além disso, o ator lembrou que cresceu em realidade difícil, mas nunca sentiu medo e foi encorajado pelos pais desde cedo a se dedicar à arte e publicou um livro ainda na infância.

- Eu nasci e morei os primeiros anos de vida em São Bernardo, mas depois me mudei para Diadema, e era uma cidade que nos 90 tinha uma realidade muito dura, de muita violência. Minha mãe nos criava como principezinhos na favela.

Ícaro ainda garantiu que se vê como uma exceção diante da realidade em que foi criado.

- Eu tive sorte de ter um pai e uma mãe que são sonhadores, batalhadores, que acreditam e me tiraram da realidade

E relembrou também quando foi atingido por uma bala perdida ao passar pelo túnel Zuzu Angel, na zona sul do Rio de Janeiro, ao voltar de uma festa.

- Eu abri o vidro, falei com o policial, e ele gritava comigo. Em um estado de guerra. Eu devo ter passado no meio de um tiroteio, os policiais me mandaram embora, porque parei em um momento que estava em confusão louca e foi isso.

Na época, a perícia confirmou que os tiros que atingiram o carro eram da polícia. Mas em depoimento os oficiais alegaram que o ator fugiu da blitz, e ele preferiu não comprar a briga.

- Primeiro porque não era uma energia que queria para mim, me envolver com uma instituição que vive em guerra, e a segunda coisa é que a gente estava em um período pré-eleição, não estava a fim nem virar mártir da esquerda nem bode expiatório da direita.

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