X

NOTÍCIAS

Publicada em 25/03/2021 às 09:53 | Atualizada em 25/03/2021 às 11:04

Em relato emocionante, Beth Goulart lembra última conversa com a mãe, Nicette Bruno: - Mãe, você vai voltar logo. Ela não voltou

A atriz ainda revelou a forma como vê o difícil momento que o Brasil enfrenta na pandemia

Da Redação

Divulgação

Em uma entrevista emocionante para a colunista Fábia Oliveira, Beth Goulart falou sobre a morte da mãe, Nicette Bruno, em decorrência do novo coronavírus. A atriz ainda revelou a forma como vê o difícil momento que o Brasil enfrenta na pandemia, e que se solidariza com as pessoas que perderam algum ente querido:

- Com muita tristeza, indignação e solidariedade, porque eu sei o que essas pessoas, esses familiares passaram. É muito difícil perder uma pessoa amada, ainda mais em uma situação como essa. Ninguém está preparado para perder alguém que se ama e de uma forma tão rápida. Existem pessoas morrendo agora em três dias! Famílias dizimadas em três dias. A minha mãe passou 21 dias internada, mas existem pessoas que morrem muito rápido e ninguém se prepara para isso. A minha tristeza é por estar nesse número. A minha indignação é porque não tem sido feito nada para ter uma medida mais eficaz para impedir o avanço da doença e a minha solidariedade é uma compaixão por todos que sofreram o que eu sofri.

Beth Goulart ainda comentou sobre o difícil processo de intubação, pelo qual Nicette passou, e afirmou que o sentimento de impotência diante da situação é muito grande:

- Todos os momentos são difíceis, porque essa doença não dá folga. Você não pode ficar perto de quem está doente e de quem você ama. É uma sensação de impotência muito grande, ainda mais quando ela vai se agravando e aí vem a necessidade de intubar, porque é um momento de muita tensão e angústia. A pessoa que você ama está ali sozinha e você não pode estender a sua mão e nem pode acompanhar e ajudar aquela pessoa a passar por esse sofrimento. Realmente, você fica impotente.

A atriz lamentou o fato da mãe não ter sido vacinada contra a Covid-19:

- A primeira vacina surgiu um mês depois dela ter morrido. Se ela tivesse tomado a vacina, isso não aconteceria. Dá uma sensação de: Puxa vida! Só mais um pouquinho, ela sobreviveria. Se a vacina fosse implantada no Brasil há mais tempo, com certeza a realidade seria outra.

Em uma fala comovente, Beth relatou qual é a sua última lembrança ao lado de Nicette:

- No último momento que eu estive com a minha mãe, ela já estava inconsciente, mas eu guardo como se fosse a nossa despedida o momento em que ela voltou do hospital, quando fez os exames. Ela passou na minha casa e nós conversamos. Mãe, você vai voltar logo. Nos despedimos. Ela não voltou e esse é o momento que eu guardo. Ela estava consciente e pudemos dizer uma para outra o quanto nós nos amávamos. Também disse o quanto a amava quando ela estava inconsciente e por mais que eu tenha dito de várias outras maneiras, não foi a mesma coisa. Para mim, esse último encontro é o que eu guardo.

A atriz comentou que a perda do pai e da mãe é algo muito forte e muda a vida de qualquer pessoa:

- Quando você perde o pai ou a mãe, é muito forte na vida de qualquer pessoa. Pai e mãe têm que estar dentro de você e de certa forma, você acaba ganhando uma força maior. Você tem que buscar em si mesmo o apoio, os valores e toda a presença daquela pessoa amada que estava ali ao seu lado e que podia ouvir, tocar e falar. Agora você só pode sentir. É um processo de crescimento, de amadurecimento e não é fácil. É de muita dor e que também fortaleceu o amor e a capacidade de amar o outro. É um processo doloroso.

Beth falou que a rotina da família está diferente, muito distante, e deu detalhes sobre o Natal sem a presença da mãe:

- Tudo mudou. A pandemia mudou a rotina de todas as famílias e todas as pessoas. Nós não temos mais uma rotina normal como era antes da pandemia. O distanciamento permanece e por mais que continuemos nos falando por telefone, por mensagens e por vídeos, não é a mesma coisa. Há a ausência das pessoas, do toque e do abraço. Todos nós estamos aprendendo a lidar com isso, independente da perda da minha mãe. Só que agora estamos resolvendo coisas que era ela quem cuidava e resolvia. Desde coisas mais simples como os problemas cotidianos até as questões mais complicadas. Ela morreu muito próximo do Natal, no dia 20 de dezembro. Nosso Natal foi distante por conta já do isolamento e muito triste por não tê-la.

A atriz disse que não perdeu mais nenhum ente querido para o novo coronavírus, mas deixou um recado de que a vida passa rápido demais. Para amenizar a saudade da mãe, Beth disse que assiste a novela A Vida da Gente, que está sendo reprisada na Rede Globo:

- Eu vejo a novela A Vida da Gente. O engraçado é que esta semana mesmo passou uma cena em que a personagem cantava uma música que ela cantou muito para nós, eu e meus irmãos. Essa é uma das formas: rever os trabalhos. Mas, eu oro muito e converso muito com ela de forma silenciosa nas minhas meditações e nas minhas orações. É uma comunicação só de um lado, não consigo ouvir as respostas, mas a gente consegue sentir o amor e a presença. Tem que aprender lidar com as projeções emocionais.

A seguir, relembre a trajetória de Nicette Bruno!


Entre seus últimos trabalhos, estão a vencedora do Emmy, Órfãos da Terra, e a terceira versão para a dramaturgia de Éramos Seis. No final da trama, exibido em março de 2020, Nicette se reuniu com as outras duas atrizes que interpretaram Dona Lola: Irene Ravache, que viveu a personagem na versão de 1994 no SBT, e Gloria Pires, que interpretou na novela mais atual. A atriz morreu no dia 20 de dezembro de 2020, após complicações da Covid-19.

Deixe um comentário

Atenção! Os comentários do portal Estrelando são via Facebook, lembre-se que o comentário é de inteira responsabilidade do autor, comentários impróprios poderão ser denunciados pelos outros usuários, acarretando até mesmo na perda da conta no Facebook.

Enquete

Para quem vai a sua torcida em No Limite?

Obrigado! Seu voto foi enviado.