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Publicada em 05/05/2020 às 23:00 | Atualizada em 06/05/2020 às 11:44

Nova produção da Netflix, Hollywood é uma boa pedida para tempos de isolamento social; saiba mais

A série de Ryan Murphy estreou de forma comedida, mas merece uma chance

Isabella Galante

Divulgação

A Netflix está caprichando nas estreias do ano 2020. Entre sucessos como a nova temporada de La Casa de Papel e O PoçoHollywood chegou ao catálogo em 1º de maio como um deleite para os cinéfilos de plantão.

A série é um tributo aos dias de ouro do showbiz nos anos 40, no pós-Segunda Guerra Mundial, ao contar a história de atores e cineastas que topam quase qualquer negócio para ter sucesso na indústria cultural mais competitiva do mundo.

Tudo começa quando o estereótipo norte-americano Jack, interpretado por David Corenswet, dribla as expectativas e aceita se tornar um gigolô em um posto de gasolina de fachada para sustentar sua família. Entre os clientes, estão pessoas influentes da cidade, principalmente as envolvidas com o entretenimento.

A produção é liderada por Ryan Murphy, que assinou um contrato milionário com o streaming, e tem criado conteúdo com liberdade. Mais uma vez, ele acertou em cheio, demonstrando sua versatilidade, já que seu currículo conta com Glee, American Horror Story, American Crime Story e The Politician.

Personagens

Misturando personagens históricos como Rock Hudson e Cole Porter, com os da ficção, temas como a representatividade, o assédio e o preconceito ganham um retrato sensível e cativante por meio de figuras intensas e carismáticas.

Entre os destaques do elenco está Jim Parsons, que retorna às telinhas, após o fim de The Big Bang Theory, em um papel único, totalmente transformado fisicamente e com a personalidade repugnante de um agente de celebridades molestador.

Já Darren Criss está virando figurinha carimbada nas obras de Murphy. Contudo, desta vez, seu personagem, um diretor de cinema, é heterossexual.

O rol de atores ainda engloba veteranos como a fantástica Patti LuPone, que segue vigorosa e divertidíssima.

É quase impossível não se identificar e torcer pelos personagens, se contorcer quando tudo dá errado e não parece ter solução, e também vibrar quando cada conquista é alcançada.

Enredo

A trama tem a dose certa de drama e humor, equilibrados com acidez e criticidade, que te envolvem do começo ao fim dos sete episódios de tal forma que deixa um gostinho de quero mais.

Obviamente, o que vemos não é uma série documental, pelo qual os roteiristas tomaram a licença poética de alterar eventos e dar uma espécie de retenção aos ocorridos, em uma visão otimista ao que de fato aconteceu na vida real.

O enredo descortina uma situação ainda bastante atual em Los Angeles: os aspirantes a artistas se mudarem para lá em busca de um sonho que se realiza para poucos. Diante de inúmeras frustrações, fica clara a necessidade de resiliência, já que, nem sempre, os finais são felizes por ali.

A série não é sufocada pelas problematizações que expõe, o que faz com que possa ser assistida em dias em que você não quer pensar muito, mas também serve para despertar discussões; contentando desde os mais velhos que vivenciaram os tais dias de ouro, até os mais jovens que foram atraídos por algum rosto conhecido, ou mesmo quem só está buscando um colírio, uma vez que beleza é o que não falta entre os atores.

A realidade que Murphy apresenta é ao mesmo tempo podre e fascinante, evidencia todos os esquemas e corrupções comuns na indústria hollywoodiana, juntamente com o desenrolar da rotina em um estúdio, nos bastidores, que fazem o espectador, ao assistir a cada etapa de produção de um filme, admirar ainda mais o resultado final.

Muitas vezes comparada a Once Upon a Time in Hollywood, de Tarantino, em formato de seriado, a obra da Netflix enveredou por um caminho menos violento, quase ingênuo, e, por isso, cai no estilo agrada a gregos e troianos.

Paralelos

Quem se interessa por saber mais sobre a história do cinema descobrirá que há semelhanças diretas entre a fantasia e o factual. Por exemplo, os Estúdios Ace da série e os da Paramount compartilham não apenas o visual idêntico como os mesmos filmes lançados.

A ambientação é detalhista e impecável, seja nos figurinos, no mobiliário ou nos automóveis, que ajudam a recriar um universo alternativo bastante realístico, mas também mais interessante.

As regras de autocensura impostas por Hollywood como a pressão para os atores não assumirem relacionamentos homossexuais e o código Hays, que proibia relacionamentos inter-raciais em cena, foram muito reais, ainda que tenham sido abordadas de forma moderada na ânsia de abarcar todas problemáticas levantadas.

O roteiro permitiu reescrever um novo destino às figuras de Rock Hudson, que, na verdade, passou a maior parte de sua existência sem poder revelar publicamente sua sexualidade e tentando escapar dos abusos de seu agente; Anna May Wong, que perdeu diversos papéis por ser asiática; e Scotty Bowers, o dono do posto de gasolina e cafetão desiludo por nunca ter conseguido emplacar a carreira de ator.

Apesar de haver infinitas histórias nesse ambiente glamouroso e hostil, o seriado foi lançado para se limitar a apenas uma temporada e encerrar-se em si mesmo, o que é uma pena porque em meio a tantas distopias como Black MirrorThe Handmaid's TaleHollywood é um refresco, e se apresenta como um presente neste período de isolamento social, mostrando o papel da indústria do entretenimento em moldar os hábitos e costumes, seja nos Estados Unidos, na Índia, Brasil ou qualquer outro lugar.

Abaixo, confira outras sugestões de séries para ver na Netflix.


The Keepers segue o estilo documentário investigativo e tenta entender, em seis episódios, quem assassinou a freira Cathy Cesnik. Na época do crime, ela dava aula em uma escola religiosa e seus antigos alunos acreditam que a polícia acobertou a história porque a freira acreditava que um padre da instituição, A. Joseph Maskell, era culpado por abusar sexualmente de alguns alunos.

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