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Publicada em 24/06/2021 às 11:32 | Atualizada em 24/06/2021 às 12:13

Marieta Severo vive Ada no longa Noites de Alface e entrega costume de observar os vizinhos: - É mais forte do que a gente

A atriz contracena com Everaldo Pontes e aponta semelhança entre a narrativa do longa e a realidade da pandemia

Da Redação

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Nesta quinta-feira, dia 24, estreia nos cinemas o longa Noites de Alface, uma produção nacional que traz Marieta Severo e Everaldo Pontes na pele do casal Ada e Otto, os personagens principais da trama. Nessa história, cercada por tradições das cidades do interior, o par vê a tranquilidade do dia a dia acabar com o sumiço repentino de um carteiro, o que faz com que Otto passe a oscilar entre a realidade e a ficção enquanto tenta resolver esse mistério - tudo isso ao mesmo tempo que tenta combater a insônia com um chá de alface oferecido pela esposa Ada.

Os dois famosos atores, inclusive, participaram de uma coletiva de imprensa sobre o filme na qual o ESTRELANDO esteve presente, e falaram um pouco sobre seus papéis. Enquanto Everaldo descreve seu personagem, Otto, como um senhor antissocial, desconfiado e paranoico, Marieta revela que Ada foi um papel bem diferente do que está acostumada a interpretar:

- Com essa personagem parece que eu fui pra um território diferente dos outros que eu fiz, ela é muito sutil, muito delicada, muito aparentemente sem importância. Ela atua naquele mundo, naquela cidadezinha, ela é aquela mulher que traz aquela realidade para dentro de casa em contraponto com o Otto, que fica ali fechado. Não vejo ela como uma mulher ativa. A vida da Ada é muito em função desse papel doméstico, tanto é que quando ela não está lá, ele não sabe nem como pegar o alface e fazer um chá. 

Diante do desafio de interpretar um papel tão diferente do que está acostumada, Marieta acabou recorrendo ainda mais a um artifício do qual já se aproveitava: O figurino. A atriz veterana conta que tem o costume de buscar conhecer a personalidade de suas personagens através das roupas de ela usa e que, para Ada, isso foi essencial já que ela quase não possui características marcantes:

- Eu sou uma dependente do figurinista, de tudo que está à minha volta. De cara, a Ada não é uma personagem com características e personalidade forte, ela está ali como uma engrenagem. Então eu vou me agarrando em tudo que pode me ajudar a entrar no caminho que vai me levar para o personagem, e o figurino pra mim é fundamental. Eu não consigo fazer um personagem antes de saber o sapato que ela usa, o jeito que ela pisa através do sapato que ela usa. E assim eu vou percebendo que eu preciso desse avental, por exemplo, e não do outro, porque eu preciso desse pra dizer o que eu quero.

Everaldo, por outro lado, acabou se aproximando de Otto de outra maneira: o ator viveu uma espécie de laboratório ao viver um mês na ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, onde foi filmado o longa. Lá, ele já começou a ler os romances policiais dos quais Otto não vive sem, e entrega que conseguiu se conectar com o personagem desde o princípio por enxergar nele características que se aproximavam muito de sua realidade:

- No cinema eu sempre sou chamado pra fazer personagens que na verdade tem muito a ver comigo e isso é um privilégio muito grande. Nos primeiros ensaios, nas primeiras cenas, eu comecei a sentir que eu estava naquele universo. Essa coisa da solidão, do tempo, que no filme é um outro personagem, e a velhice, né, essa terceira idade que é uma coisa muito forte e eu tenho o privilégio de estar entrando nela. 65 anos de idade, é uma idade que não tem muitas perspectivas como ator ou como cidadão.

Os dois atores, aliás, nunca haviam contracenado em trabalhos anteriores, mas entregam que isso não foi um desafio. Marieta, por exemplo, já conhecia a carreira de Pontes e revela que saber que teria o colega ao lado durante as gravações deu certa tranquilidade para encarar o desafio de viver uma personalidade tão única quando comparada aos papéis que coleciona em sua carreira:

- Foi muito bom, a gente se entendeu logo de cara. Nós, a equipe toda, esse elenco é muito especial. O Everaldo eu já admirava muito ele como ator, quando eu soube que era ele eu já fiquei super feliz, super tranquila, super segura de que eu ia ter um companheiro de viagem de primeira. Fluiu tudo mto bem, mto tranquilamente. Todos os atores nesse filme tem um tom para transmitir esse mistério, esse lugar entre a ficção e a realidade.

Pontes destacou ainda a honra de contracenar com a conhecida artista, e também com todo o elenco que, como Marieta diz, deu conta de passar todo o clima de mistério do filme, que transita entre a realidade e a imaginação de Otto. O personagem, inclusive, passa grande parte do filme alimentando suas teorias ao observar atentamente a vizinhança através de sua janela - e o ator entrega que ele mesmo tem esse costume:

- Eu não vivo se não tiver uma janela [risos] pra olhar a vida dos outros. Eu preciso disso o tempo todo. É muito importante ver o mundo, ver as ruas, ver as pessoas na rua, é uma escola para quem é ator e para nossas vidas também.

Marieta, por sua vez, entrega que também tem essa necessidade de observar as pessoas que estão em seu entorno, e aponta o costume como uma necessidade tanto humana quanto profissional:

- Quando eu era pequena, eu tinha uma fantasia de que eu queria ser uma mosca pra entrar na casa dos outros. Então é claro que eu não fico aqui olhando meus vizinhos pela janela, mas a curiosidade, a necessidade da observação faz parte da gente. É mais forte do que a gente, você está vivendo e observando. Se a gente não conhecer profundamente os outros e a gente mesmo, a gente não tem material de trabalho.

Esse hábito de observar as pessoas pela janela, inclusive, é algo que tem sido posto em prática por muitos ao longo da pandemia do novo coronavírus, já que as medidas de isolamento social levam as pessoas a ficarem mais tempo dentro de suas casas. Com isso o filme, que começou a ser gravado em 2018, acaba passando um tom bem semelhante ao que vivemos nessa época, além de também retratar bem o sentimento de perda e de solidão.

Sobre isso, o produtor do filme Alexandre Rocha - que também estava na coletiva - entrega que não tinha ideia de que a situação retratada no filme acabaria tendo tanta relação com a realidade que estamos vivendo, mas aponta que isso deu um significado muito maior à narrativa: 

- Quando a gente começou a pensar e a fazer o filme, a gente não fazia ideia de que a gente ia viver isso que a gente está vivendo hoje. Então o que o filme coloca muito é a percepção da falta né, a falta que a luz da Ada faz na vida do Otto, a ausência de afeto, isso está no filme de alguma forma, e eu acho que a gente reflete sobre isso hoje de uma outra maneira, porque a gente está vivendo um momento agudo nesse sentido. Então isso toca a gente sobre esse lado.

Marieta concorda, e aponta que esse é um dos muitos dons da arte: o de antecipar acontecimentos futuros que muitas vezes não são nem pensados pelos atores, produtores e até mesmo pelo público:

- A ficção tem essa capacidade de se antecipar, a ficção lê o que talvez ainda nem esteja acontecendo. É interessante porque o filme trata dessa perda e da necessidade da ficção antes da pandemia, antes desse terror que a gente está vivendo. Ter agora todas essas leituras sobre o filme que foi gravado dois ou três anos atrás, a arte tem essa capacidade.

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